Nem todo aprendizado vem de momentos felizes.
Quando olho para a minha família hoje, percebo que aprendi muito mais do que imaginava. Alguns ensinamentos vieram das coisas boas que vivi, mas outros vieram justamente daquilo que eu não queria repetir.
Observando meus pais, aprendi a trabalhar duro, ser honesta e ter responsabilidade com a minha própria vida. Aprendi que é importante economizar, cuidar das minhas coisas e pensar nas consequências das minhas escolhas.Também aprendi o que eu não queria para mim. Aprendi a não procurar confusão, não fazer coisas erradas, não machucar outras pessoas e manter a cabeça no lugar. São ensinamentos simples, mas que fizeram diferença na pessoa que me tornei.
A falta de presença também me ensinou.
Quando era criança, muitas vezes precisei esperar. Com o tempo, aprendi a ter paciência, observar e entender melhor as situações. Aprendi também a olhar para os erros das outras pessoas e pensar: “Se isso não foi bom para ela, eu não quero fazer igual.”
É aquele famoso aprendizado que vem de observar os erros dos outros para não precisar cometer os mesmos.
Meus irmãos também fizeram parte disso. Cada um tinha uma personalidade diferente e, sendo mais velhos, me mostravam maneiras diferentes de enxergar a vida. Alguns eram mais tranquilos, outros mais agitados. E, olhando para trás, posso dizer que alguns deles deram bastante dor de cabeça para os meus pais.
Eu observava tudo aquilo e, mesmo sendo mais nova, ia formando minhas próprias ideias sobre o que era certo e o que era errado.
Minha família me ensinou a observar antes de julgar. A tentar entender o outro, colocar-me no lugar dele e pensar sobre cada situação. Se eu achasse que algo estava errado, eu procurava não repetir. Se achasse que estava certo, levava aquele ensinamento comigo.
Hoje, quando penso na família que quero construir, algumas coisas ficam muito claras para mim.Eu quero paz dentro da minha casa.
Quero estar presente para os meus filhos. Quero viver momentos com eles, viajar, passear, conversar, criar lembranças e, principalmente, proporcionar a eles uma sensação de segurança e tranquilidade.
Não quero que eles tenham apenas uma mãe que trabalha e cuida das responsabilidades. Quero que tenham uma mãe presente na vida deles.
Também quero que dentro da minha casa exista diálogo e respeito. Meus pais, até hoje, às vezes discutem na frente de todos, e isso é algo que sempre me incomodou. Hoje entendo que eles também têm a própria história, seus problemas e sua maneira de lidar com as coisas. Mas isso me ensinou algo importante: nem tudo que vivemos precisa ser repetido.
Hoje tenho orgulho de mim e também da minha família.
Com o tempo, aprendi a olhar para o passado com mais maturidade. Eu não posso mudar o que aconteceu. Algumas coisas poderiam ter sido diferentes, é verdade. Mas o passado faz parte da minha história.
Hoje percebo que carrego muitas histórias para contar. Histórias de alegrias, dificuldades, aprendizados, erros, acertos, perdas e recomeços.
Minha família me ensinou que a vida não é perfeita. Mas também me ensinou que podemos escolher o que levar conosco. Posso olhar para trás, reconhecer o que vivi e escolher construir algo diferente para o futuro.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados que a minha família me deixou: não podemos mudar o passado, mas podemos escolher o que faremos com tudo aquilo que ele nos ensinou.





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